Um curioso menino, Joel, trouxera para casa como trabalho uma pergunta para a qual temia não obter resposta: "O que significa indiferença?". O grande dicionário de capa avermelhada já estava aberto em cima das suas pernas e procurou sem problemas a palavra que tanta confusão lhe fazia na cabeça. Encontrou como definição mundial escassas palavras que não satisfizeram a sua curiosidade. Não se podia remeter a falta de entusiasmo, curiosidade ou até mesmo de paixão. Se assim fosse todas as pessoas que conhecia, incluindo ele, eram indiferentes a grande parte do que lhes passava pela vida. Com passos leves foi até à sala e sentou-se lado a lado com o seu pai, um homem inteligente com resposta pronta a tudo. "Indiferença? É sentimento de quem não é capaz de amar". A mãe, uma mulher curiosa como ele e com os ouvidos à escuta apressou-se a acrescentar o que o seu coração sempre guardou. "Indiferença? Não é mais do que a insensibilidade de qualquer coração, apaixonado ou não". Com a cabeça cheia de palavras que não faziam sentido para si, saiu para a rua à procura da indiferença que tantos apregoavam. Um pequeno cão, quase tão pequeno como um bebé acabado de nascer foi enxotado por um rapaz apressado de forma violenta. "Incapacidade de amar ou pressa?". A pergunta acompanhou-o até que mais à frente viu um idoso sentado num banco de jardim, de olhar triste, sendo ignorado por todos os que passavam por si. De coração apertado sentou-se a seu lado, sem nada dizer, simplesmente afastando a solidão que acompanhava o senhor a seu lado. Quando, mais tarde regressou a casa dirigiu-se ao seu caderno invulgar e abriu-o. De caneta parada a escassos centímetros do papel pensava na definição que poderia dar. Nenhuma das palavras que ouvira pareciam preencher os requisitos e acabou por perceber que indiferença teria sempre uma definição indefinida: cada um sente-a à sua forma. Rascunhou algumas palavras no caderno e depois fechou-o, pronto para mais aulas. "Indiferença? É o pior sentimento do mundo".


2 commentaire(s):
Olá, querida
" Das alturas orvalhem os céus,
E as nuvens que chovam justiça,
Que a terra se abra ao amor
E germine o Deus Salvador"...
Hoje estive numa Cidade grande e vi a indiferença rolando no ar... Terminei há pouco um comentário num blog desta coletiva como vc o fez no seu... é o pior mesmo... tristeza total!!!
Fico tão sem palavra para agradecer o carinho imensurável com que me cumula ao longo do ano que só posso lhe dizer que te amo fraternalmente...
Seja muito abençoada e feliz, amiga!!!
Bjm de paz e FELIZ NATAL... apesar de qualquer vestígio de dor em seu coraçãozinho....
"Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes,
e então saberás que eu me feri e também me curei."
(Tagore)
Façamos todos nós um pequeno esforço para irradicar esse que é o pior sentimento do mundo.
Excelente participação.
Aproveito para desejar um Feliz e Santo Natal!
http://utopiarealista.blogspot.com/2011/12/feliz-natal.html
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